domingo, 9 de fevereiro de 2014

Suspensão...


Aquele dia eu pus o pé na estrada e continuei andando, naquele dia eu não olhei para trás.Nada mais importava, todas as expectativas, todos os momentos, todas as dores, todas as angustias... tudo, tudo misturado.


Como se não fosse nada, como se fosse só uma virgula, um momento, aquele caminho que continuou a partir dali, aquele caminho que finalmente começou... Engraçado perceber como era fácil. Como sempre foi fácil. Agora de frente para uma estrada sem grandes curvas e sem ser uma linha reta também. Eu continuo andando... Agora eu não tenho  mais medo, agora eu perdi o medo de caminhar, perdi o medo de correr. Agora, eu perdi o medo de se por acaso eu encontrar um espelho no meio do caminho e ter que me encarar de frente. Porque o agora é o único momento que importa. Eu vim correndo todo esse tempo desesperada, desenfreada, correndo como se soubesse para onde eu ia, mas eu não sabia. Eu vim procurando algo que não estava dentro de mim, eu vim procurando algo que eu só saberia quando eu encontrasse... E finalmente eu encontrei, eu me encontrei, eu encontrei um lugar, eu encontrei um porquê. Eu encontrei tudo aquilo que eu vinha perdendo sem sequer saber que eu tinha. Engraçado olhar para tudo isso e ver o quanto as coisas podem ser fáceis e simples. E fácil e simples não significa que vai dar certo, fácil e simples significa que a gente vai ter que arriscar sim,  e que pode doer que vai ser difícil que talvez a gente caia, mas a vida é assim. Que são esses momentos e são essas curvas essas quedas essas pequenas e grandes feridas que fazem todo o resto valer a pena... E tem valido.Cada respiração, cada sentimento, cada dor tem valido a pena porque agora eu sei que eu estou fazendo por mim. Porque agora não importa o que eu faça eu não estou apenas caminhando... finalmente eu estou seguindo. 



domingo, 5 de janeiro de 2014

Última moeda

No primeiro dia existia uma parede invisível, mas não imaginária, nos separando. Tentei desesperadamente transpô-la, bati com toda minha força, gritei inutilmente, mas nada adiantou. Ela me olhava serena, pedia que eu me acalma-se, entretanto isso era impossível, ela estava ali na minha frente e eu sequer podia tocá-la. Gritei, continuei a esmurrar aquele muro até minhas mãos sangrarem. E ela continuou ali parada com o seu olhar sereno pedindo para que eu me acalma-se. No segundo dia ela apareceu de branco, era festa do mar, todos jogavam suas moedas, suas rosas brancas, não existiam mais barreiras. Ela chegou perto, pediu para que eu ficasse bem, me deu uma moeda e se foi. Prontamente eu joguei minha moeda no mar e fiz um pedido: Volta! O mar esbravejou, Iemanjá entendera, mas não tinha como conceder, era grande demais até para ela. Assim como a minha moeda, ela se fora, afundou pouco a pouco e desde então eu nunca mais joguei uma moeda ao mar.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Respirei fundo muitas vezes tentando procurar uma saída, mas sequer consegui me mexer. Tudo ainda está muito confuso e a única coisa que eu tenho certeza é que absolutamente tudo mudou. Queria acordar disso que eventualmente chamamos de pesadelo e percebo que isso é a minha realidade. Com os meus olhos míopes e cansados só consigo enxergar linhas turvas e muito pouco a fazer. 

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Abri mão do verde, ele acabou por não ajudar em nada... Simbolismos, simbolismos. Acabei por encarar o preto de frente bem nos olhos e nas unhas. Quem quiser que diga que é luto. Talvez seja... Por que não? Um luto bem servido, com enterro, missa, lágrimas e esquecimento (esse pode até tardar, mas nunca falta). Tudo como de praxe, sem muita cerimônia, só aquela certeza pura e simples de que acabou. Como tudo acaba, as plantas, os bichos, as pessoas e os sentimentos, cada um ao seu modo. É verdade, todos acabam, ou se transformam. Talvez seja isso que nos mantenha vivos, a certeza de que as coisas se transformam, sem saber exatamente em quê, nem quando, nem onde. E elas vão mudando, tornando-se ora melhores, ora piores e se alternando mutuamente.
Estamos todos na beira de alguma coisa, não o abismo clichê, mas todo mundo está na beirada, buscando algo novo, um sentimento novo, uma pessoa nova. Eu gosto das coisas velhas, sempre gostei, sempre fui meio velhinha, acordando cedo, sentindo cheirinho de café no fogo, cumprindo sempre os mesmos hábitos, saudáveis ou não, mas sempre os mesmos. Talvez por gostar tanto de manter os velhos hábitos é que as coisas sejam tão inconstantes pra mim e paradoxalmente eu seja tão volúvel. Mudando de ares, pessoas e sentimentos como quem troca a cor das unhas. Ontem verde-esperança, hoje preto-luto e amanhã, quem sabe, acho alguma mais feliz, um pink ou um anil. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011


Arrumei a casa, lavei a louça bati um bolo. Preenchi o meu tempo e a dor não passou. Percebi que o que faltava preencher era espaço e não tempo.  Esse é mais complicado, mais de-li-ca-do como uma boneca de porcelana, que, ao se quebrar, por mais que se emende, sempre ficarão cicatrizes. Queria uma cicatriz agora, queria um sentido, algo que valesse a pena, algo no que acreditar, mas tudo perdeu o sentido, se sentido houve algum dia. Continuar se tornou uma palavra vazia e por mais sinônimos que eu invente não consigo trazê-la de volta.
Vou falando, repetindo, criando vícios, lavo, passo, limpo, faço as unhas o cabelo e tudo continua igual. Tento ler um livro, assistir a um filme, rir alto de qualquer coisa, mas tudo continua igual. Os truques antigos que antes eram tão eficazes já não têm significado nenhum. Os versos que antes tanto me distraiam, hoje são palavras cada vez mais vazias. Pintei as unhas de verde (esperança, pensei), vai ver representa alguma coisa. E no meio do turbilhão também conhecido como o olho do furacão, tudo para. A vida para e, no silêncio, tento escutar a lembrança de quem eu fui um dia. Ideais, causas, motivos para lutar por algo maior, mas o sentido se perdeu com o tempo e, pragmática e positiva continuo andando, com as unhas pintadas de verde na esperança de ter esperança de novo algum dia, se é que algum dia houve.