quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Nostálgica, reticente, agônica… Vários sentimentos que acabam por se misturar numa batida que só me grita: Vai viver!
É isso… Vai viver!
Carnavalesca, hébria, volúvel, numa ânsia por encontrar um caminho, talvez não o melhor, mas com certeza não o maior.Querendo um pouco de tudo que é bom, por que no fim, é o que fica, é o que importa. Seguindo esse turbilhão, volto as cores, talvez elas ajudem, quem sabe aquele anil nas unhas não dê uma força?! Invisto nele com aquela certeza que só os tolos e os apaixonados tem, aquela certeza de que o que importa é o agora, que o melhor sentimento é o que é real. Mas o real é só mais um embuste. Quero voltar e te dizer tudo que está entalado na minha garganta seca, que não umedece nem com vodka (desculpa o trocadilho Caio…), quero ter coragem para arrancar cada uma das minhas máscaras para me despir de mim e quem sabe poder me mostrar assim, não pura, não única, não especial, mas assim, tão eu quanto se pode ser… 

domingo, 27 de julho de 2014

Geada

Hoje geou, por dentro e por fora. Não foi a primeira vez, mas sinto que pode ser a última. Quero que seja a última...
Tudo tão sem significado para alguns, nunca entenderam o que ficava subentendido, às vezes pagamos pelo que deixamos de dizer, mas não deixamos de sentir...
Sentir... Por vezes tão inesperado...
Sempre quis pouco, mas um pouco de verdade, um pouco inteiro, sabe aquele meio copo de whisky, só que whisky de primeira? Whisky de primeira não dá ressaca. Acho que é isso, estou com uma ressaca mal curada de meio copo de whisky vagabundo. 


quarta-feira, 18 de junho de 2014

34...

É, hoje seriam 34...
Mas não te permitiram, não nos permitiram.
Sempre acabam levando uma parte boa da gente...
Hoje queria que fosse só mais uma comemoração, talvez um bolo, uma festa, uma farra, talvez a gente nem se visse... Mas estar lá faz toda a diferença.
É meu irmão, não te permitiram ser a coisa boa que você era, não te permitiram muita coisa... Não sei como poderia ter sido. Nos nossos “e se” mágicos, o céu poderia ser verde e você poderia estar por aqui agora. Sinto de uma forma esquisita que alguma coisas mudam a gente para sempre, racham a gente de tal forma que é como se nem doesse... Posso culpar o estado, um deus qualquer, a falta de justiça desse país, mas na real, nada disso vai mudar o fato de você não ter podido ver e viver uma série de coisas boas e ruins que a vida poderia ter te oferecido.
A gente sempre acha que poderia ter feito alguma coisa, ter feito mais, mas isso tudo só torna a coisa toda pior.
Portanto, esse desabafo só serve para mim, para minhas culpas, meus ressentimentos, minha sensação de impotência. Nesses sete anos nós simplesmente continuamos. Nada foi feito, nem justiça, nem vingança. Talvez tenhamos tendado esquecer lembrando. E se lembrar faz alguma diferença, continuarei lembrando... Agora com a minha bússola, meu mapa e a certeza que só temos uma vaga ilusão de tudo isso.

domingo, 9 de março de 2014

Na sacada

Ando sofrendo de lonjuras. 
Não que seja novidade, nem especial. 
Sei que meu problema é absolutamente comum. 
Já vi muitos se curarem e outros tantos morrerem. 
Assim a vida segue.
O que me falta é um gosto de mar, um gosto de amar. 
O querer perto é sempre o pior inimigo, ele te saliva e te faz palpitar enquanto te lembra do que é impossível ter. 
Não, não estamos falando de posse, ter não significa tirar do outro, excluir possibilidades. Aqui, ter significa somar, em todas as suas mais diversas formas. 
Em meio a esses enjoos de além mar, ando procurando em minhas garrafas vazias, um pergaminho, um mapa, uma bússola, uma vontade. Ando procurando você. Ando tentando encontrar aquela sombra de menino que foi perdida há muito, numa janela levada por um Peter Pan qualquer. 
Ando procurando aquela sombra que deve estar voando por aí até hoje, sem encontrar pouso, sem encontrar paz, sem encontrar aquela minha mão que te esperou por tanto tempo naquela sacada infinita. 
E esperando ao longe, esperando de longe, nos perdemos mais uma vez entre as sombras da janela que começaram a voar. 

quarta-feira, 5 de março de 2014

Hiato

Coloquei um Blues alto, não surtiu efeito. Lembrei que Pink Floyd era uma das suas preferidas. Coloquei no máximo, esperando, quem sabe, silenciar meus infinitos pensamentos que não cansavam de gritar.
É, essa noite não vai ser fácil nem vai acabar rápido. Quase sinto a sua presença, o que só torna tudo ainda mais difícil. Quero muito deixar você ir... Quero te deixar em paz...
Quero ter certeza que fiz tudo possível e então, te deixar. Mas como?
Essas certezas que não temos, esses "e se" tornam esse poço muito mais profundo.
Não tenho ilusões de um retorno, sei que é humanamente impossível, só queria um adeus digno. 
Não é isso que todos nós queremos no fim das contas?
Sempre pensei que de alguma forma foi o melhor para você, mas na verdade é simplesmente mais fácil para mim pensar assim.
Isso não é o melhor para ninguém.
Queria poder fazer algo...
Porque as pessoas são tão podres?
E a essa altura não sei mais se isso é sobre mim ou sobre você, mas com certeza não é sobre nós.
Algumas coisas são tão frágeis que um arranhão pode ser eterno e, quando vemos...
Quebrou...

E um último suspiro foi dado sem que ninguém ouvisse.